11/03/2020 - 15:34

Vereadora repudia desdobramentos de reportagem sobre presidiária trans de SP



A vereadora Eliza Virgínia (Progressistas) relatou ser preocupante a informação divulgada em sites e redes sociais de que uma professora da Educação Infantil estaria fazendo seus alunos escreverem cartas para a transexual Suzy Oliveira, detenta da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos (SP). O pronunciamento da parlamentar, na sessão ordinária desta manhã de quarta-feira (11), na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), baseou-se nos desdobramentos da reportagem do programa Fantástico, na qual o médico Drauzio Varella mostrou a vida de mulheres trans nos presídios, exibida em 1º de março deste ano.
 
Eliza criticou o programa por romantizar a presidiária que não recebia visitas há 8 anos, já que ela cumpre pena por estuprar e estrangular até a morte uma criança de 9 anos e agora recebe cartas de vários locais do Brasil.
 
“Suzy era Rafael quando estuprou e matou um menino de 9 anos. Se ela está na cadeia é porque tem que pagar pelo que fez. Acho preocupante um educador da rede infantil usar dessa situação para induzir seus alunos a escreverem cartas para a detenta, independente de ela ter se arrependido do crime que cometeu”, opinou Eliza Virgínia.
 
De acordo com a parlamentar, a prática da professora seria doutrinação ideológica e produziria dissonância cognitiva, quando se produzem pensamentos ou ideias que modificam crenças pré-existentes no indivíduo. “A professora tenta aplicar a dissonância cognitiva, que é quando a pessoa faz algo sabendo que está errada, quando os nossos atos não condizem com as crenças nas quais acreditamos. A exemplo, em situações em que ou se pede perdão, ou justifica-se o que fez. Até que ponto um ‘ativismo’ vai ‘santificar’ uma criatura como Suzy?”, criticou Eliza Virgínia.
 
Aparte
 
Em aparte, Marcos Henriques (PT) salientou que o tema da reportagem do Fantástico era a vida que as trans levavam nos presídios, em que muitas são torturadas, colocadas em ambientes com héteros cis, com foco nas problemáticas a que esse segmento está exposto. “Mas a reflexão é a de que todas e todos no cárcere devem pagar seus crimes, hediondos ou não. Mas depois vem a indagação: como voltarão para o convívio social em liberdade? Às vezes, um batedor de carteiras entra na prisão e sai de lá um assassino. Não vejo outra forma de reduzir a criminalidade sem estratégias de ressocialização. Precisamos pensar nisso de forma muito séria, pois até que ponto combateremos esse tipo de situação com mais ódio?”, questionou o líder oposicionista na CMJP.
 
Desdobramentos
 
Drauzio Varella divulgou em seus canais de comunicação que há 30 anos trabalha com a população carcerária e que, por ética, o atendimento aos apenados não depende do crime por eles cometidos. Ele também explicou que, pelo mesmo motivo ético, os crimes das personagens da matéria do Fantástico não foram inseridos na reportagem do programa dominical.