07/05/2019 - 13:42

Paraíba tem aumento de 20% dos casos de dengue e infectologista alerta: doença pode atingir a mesma pessoa até quatro vezes



De primeiro de janeiro ao dia 20 de abril desse ano a Paraíba registrou 2.981 casos prováveis de dengue, um aumento de 20% se comparado a mesma época de 2018, em que foram registrados 2.483 casos. Os dados foram divulgados na última quinta-feira (2), pela Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba, e trazem a tona um importante alerta, segundo o infectologista do Hapvida em João Pessoa, Fernando Chagas: a mesma pessoa pode contrair a doença até quatro vezes.
Além disso, o especialista chama atenção para o risco do aumento da gravidade da doença nos casos subsequentes. “O grande perigo é que da segunda vez é possível evoluir para uma dengue mais grave. A forma mais comum é a dengue simples, mas é comum evolui para o caso grave”, explica."
A dengue é uma patologia causada por um vírus simples, que possui 10 proteínas em sua formação. Porém, as consequências que podem ser grandes. Chagas comenta que quando o vírus está no organismo humano provoca muitos processos inflamatórios, que causam a dilatação dos vasos sanguíneos e provocam a saída de líquido. “Isso pode levar a pressão arterial a uma queda que pode levar o indivíduo a morte”, alerta.
Causada pelo mosquito do Aedes Aegypti, os sintomas iniciais da doença são febre alta e dores musculares muito intensas, podendo variar de pessoa para pessoa. Após três dias, em alguns indivíduos surgem as manchas vermelhas.
Tipos de dengue – O infectologista explica que existem quatro tipos de dengue – DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4 – e ressalta: “Diante disso, um mesmo indivíduo pode contrair a doença até quatro vezes. O grande perigo é que da segunda vez é possível evoluir para uma dengue mais grave. A forma mais comum é a dengue simples e a minoria evolui para o caso grave”, explicou.
Nesta atual epidemia, os casos mais registrados são da forma grave da doença, por isso, ele ressalta que é importante estar atento aos sintomas para que um diagnóstico seja realizado precocemente. Fernando Chagas esclarece que esse diagnóstico se dá de forma clínica, ou seja, por meio dos sintomas ou por meio de exames, neste caso, existem dois, são eles: O NS1, que é uma espécie de teste rápido, o outro é a sorologia para dengue, que é o mais fidedigno. Neste último caso, o especialista lembra que “só se torna positivo para doença a partir do sexto ou sétimo dia”.
O infectologista ainda alerta que “é preciso observar a pessoa com dengue a partir do quinto dia, pois pode evoluir para um caso grave da patologia. Por isso, não é permitido o uso de anti-inflamatório ou qualquer substância com AAS. Outra coisa, é preciso saber quais são os sinais de alerta, que são, dores no abdômen, sangramento (excessivo ao escovar os dentes) e o quadro persistente, no qual não há uma melhora do quadro clínico”, finaliza.
Tratamento – O médico lembra que não há um tratamento específico para dengue, mas sim, para os sintomas. “A hidratação é o mais importante deles, pois a inflamação faz com que o líquido dos vasos sanguíneo extravase para o resto do corpo, saindo o líquido a pressão baixa, então para evitar que isso ocorra o melhor tratamento é a hidratação por meio da ingestão de muito líquido”, explica o médico.
Contudo, Fernando Chagas ressalta que é possível se prevenir contra o vetor da doença, ou seja, contra o mosquito. “É preciso usar roupas longas e repelentes que possuam a substância DEET. É de suma importância também proteger a pessoa com a doença para evitar que essa pessoa, por meio, do mosquito transmita a doença. Outra medida de prevenção é o uso de mosqueteiros e telas protetoras nas janelas”, orienta.