15/02/2019 - 13:37

O aniversário e a história de lutas da líder camponesa Elizabeth Teixeira



Dia  13 de fevereiro foi o 94º aniversário de uma das mulheres mais importantes na história da luta camponesa do Brasil, a paraibana ElizabethTeixeira. Atrabalhadora rural e ativista brasileira nasceu em Sapé-PB. Enfrentou a família de latifundiários. Ela abriu mão do conforto para viver o amor ao lado de um trabalhador pobre, negro e analfabeto. Com João Pedro Teixeira, formou família e ajudou a construir a história do movimento sindical agrário no Brasil. A paraibana Elizabeth Teixeira é o rosto feminino das lutas camponesas da metade do século passado.Traduz a luta feminina por direitos no campo.
junto ao esposo, João Pedro Teixeira, fundou, no município de Sapé-PB, o maior sindicato de trabalhadores agrários do país até então. João Pedro Teixeira foi o  líder-fundador da primeira liga camponesa na Paraíba, que tinha a denominação oficial de "Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé" chegando a contar com 13 mil membros..As ligas foram instituídas com o objetivo de prestar assistência social a pequenos proprietários rurais, arrendatários e assalariados, defendendo os direitos desses grupos.


Em 1962, após o assassinato do companheiro, assumiu a liderança da organização no município de Sapéao lado de nomes como Pedro Fazendeiro e Nego Fuba. Em diversas ocasiões foi presa. Numa de suas voltas para casa, descobriu que a filha mais velha, Marluce, havia cometido suicídio, acreditando que a mãe havia sofrido o mesmo destino que o pai. Com o golpe militar de 1964, teve que passar para a clandestinidade, adotando o nome de Marta Maria Costa e se refugiou em São Rafael (Rio Grande do Norte), com o filho Carlos.


Após o assassinato do seu companheiro e líder das ligas camponesas João Pedro Teixeira em 02 abril de 1962, recusou o convite do presidente Fidel Castro para residir em Cuba com seus onze filhos para dar continuidade à luta pela Reforma Agrária.
 
Elizabeth Teixeira permaneceu na clandestinidade até 1981, quando foi encontrada pelo cineasta Eduardo Coutinho, que retomara as filmagens de seu documentário Cabra Marcado para Morrer.que contaria a história de João Pedro Teixeira, no entanto, as filmagens foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. O documentário somente seria finalizado e lançado em 1984..Foi morar em João Pessoa, no bairro de Cruz das Armas, numa casa que ganhou do cineasta.A líder camponesa foi homenageada com o Diploma Bertha Lutz e a Medalha Epitácio Pessoa.A casa onde viveu com João PedroTeixeira, em Sapé, foi tombada e destinada a abrigar o Memorial das Ligas Camponesas, com sede no povoado de Barra de Antas, inaugurado pelo então governador Ricardo Coutinho (PSB).


O memorial tem como objetivos construir um Centro de Formação para o Campesinato; resgatar a memória por meio de documentos, para a formação de um acervo histórico, social, político e cultural das ligas camponesas e lutas da reforma agrária; preservar o espírito de luta das ligas por justiça social, dignidade e reforma agrária.
 
 
O Movimento dos Sem Terra (MST) teve como embrião as Ligas Camponesas e a história de luta de líderes como João Pedro Teixeira, Francisco Julião, Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro), Severino Alves Barbosa(Biu Pacatuba), João Alfredo (Nego Fuba).,Ivan Figueiredo,Elizabeth Teixeira, Margarida Maria Alves e tantos outros companheiros.
 
Elizabeth Teixeira e Margarida Alves não buscaram apenas melhores condições de vida no campo, mas ditaram a participação feminina nos movimentos sociais do interior paraibano, tímido na época.A história de luta de Elizabeth Teixeira sempre lembrada como símbolo vivo de resistência e luta do povo camponês. 


O camponês de ontem e o sem-terra de hoje são atores da mesma história de exploração, dominação e opressão que o Brasil precisa acabar, para que assim possa haver uma sociedade livre, justa e solidária.
 
“A mulher tem que lutar, cobrar seus direitos, tem que ter coragem. Eu tive que ter coragem para continuar a luta e buscar uma vida melhor para os trabalhadores, para os camponeses. Tive também que ter força para aguentar as prisões e ameaças. Não podia ter medo”, declara Elizabeth Teixeira.
 
“Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados. Não pode parar.", disse a líder camponesa Elizabeth Teixeira. 
Assessoria