28/10/2019 - 11:40

Mercosul: saída do Brasil ameaça mercado de US$ 16 bilhões ao ano



O presidente Jair Bolsonaro (PSL) vem dizendo, durante entrevistas à imprensa, que existe a possibilidade de o Brasil deixar o Mercado Comum do Sul (Mercosul), caso a chapa de Alberto Fernández, cuja candidata a vice é a senadora e ex-presidente Cristina Kirchner, viesse a vencer as eleições da Argentina, o que se concretizou nesse domingo (27/10/2019), com a vitória do peronista em primeiro turno.
Em agosto, Bolsonaro disse que concorda com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a saída do Brasil do Mercosul. “Ele [Paulo Guedes] já falou: ‘Se criar problema, o Brasil sai do Mercosul’. E está avalizado, sem problema nenhum”, afirmou, à época, o presidente.
Na última quarta-feira (23/10/2019), Bolsonaro fez outra declaração sobre o assunto. “Nós sabemos que a volta da turma do Foro de São Paulo e da Cristina Kirchner para o governo argentino pode, sim, colocar em risco todo o Mercosul”, afirmou.
Levantamento do (M)Dados, núcleo de análise de grande quantidade de informação do Metrópoles, mostra que, caso a saída do grupo se concretize, o mercado de exportações brasileiras aos países integrantes do bloco econômico estaria sob ameaça. A média anual das exportações é de US$ 15,9 bilhões. Já a média da importação é de U$S 11,3 bilhões. Saldo positivo para o Brasil.
Países-partes
O Mercosul é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela aderiu ao bloco em 2012, mas está suspensa, desde dezembro de 2016, por descumprimento de seu Protocolo de Adesão e, desde agosto de 2017, por violação da Cláusula Democrática do bloco.
O levantamento teve como base dados da série histórica de exportações e importações brasileiras dos últimos dez anos. Os dados estão disponíveis no site do Ministério da Economia.
De janeiro a setembro deste ano, as exportações brasileiras para o Mercosul registraram o menor valor nos últimos dez anos, o equivalente a US$ 11,1 bilhão. Em 2018, as exportações somaram US$ 16,7 bilhões. O segundo menor registro ocorreu em 2016, quando as exportações somaram US$ 13,4 bilhões.
Em relação às importações, o Brasil segue na média dos últimos 5 anos, registrando entre US$ 8,3 bilhões e US$ 9,6 bilhões.
Apesar da queda da exportação com o Mercosul, o saldo global da balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) de 2019 ainda é positivo. Registrou superávit de US$ 33,6 bilhões no acumulado de janeiro a setembro deste ano.
Argentina
O país vizinho vive uma crise econômica e social. O cenário foi agravado pelo resultado primário das eleições marcadas para esse domingo. Nas eleições primárias, realizadas em agosto, a chapa de Fernández e Kirchner obteve 47% das intenções de voto. O número foi maior do que o necessário (45%) para vencer em primeiro turno. Macri conquistou 32%.
Após o resultado das eleições primárias, o dólar disparou e Macri precisou adotar uma série de medidas em uma tentativa de conter a inflação. O índice deve chegar a 55% neste ano. Além disso, a Argentina pediu, em 2018, um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de U$S 57 bilhões. O fundo aguarda o desembolso de uma parcela que deve ser paga somente após as eleições, caso haja acordo com o próximo governo.
Levando em conta apenas a Argentina, o valor em exportação brasileira ao país caiu bastante. Até setembro deste ano, foram US$ 7,4 bilhões, ante US$ 12,2 bilhões do ano passado.
Tradicionalmente, o Brasil exporta itens industrializados para o mercado argentino, também comprando produtos manufaturados do país vizinho. O comércio bilateral concentra-se no setor automotivo, na metalurgia e em produtos petroquímicos.
A Argentina é o terceiro parceiro comercial do Brasil no mundo – é o primeiro se considerada somente a América Latina. Além disso, 5% das exportações brasileiras vão para o país vizinho, colocando a Argentina atrás somente de China e Estados Unidos.
METRÓPOLES