12/07/2019 - 11:49

Ainda sem provas, Justiça suspende cautelares de outros 17 réus. Mas mantém proibição de ir a estádios



A falta de provas que incriminem os acusados de manipularem resultados em partidas do Campeonato Paraibano de Futebol vem levando à Justiça a adotar uma postura branda com os réus da Operação Cartola. Pouco a pouco às medidas cautelares vão caindo.
 
Na semana passada quatro ex-dirigentes e um empresário alagoano ganharam o benefício. Ontem, outros 17 réus também receberam a diminuição de algumas cautelares. Todos, no entanto, estão impedidos de, por exemplo, frenquentar estádios de futebol. Ou seja, continuam penalizados, mesmo após três audiências e nenhuma prova apresentada ou testemunhas que venham confirmar as acusações.  
 
Também tiveram relachamento de algumas cautelares os seguintes acusados: Amadeu Rodrigues (ex-presidente da FPF), Breno Morais (ex-vice-presidente de Futebol do Botafogo-PB), Lionaldo dos Santos Silva (ex-presidente do TJDF-PB), Marinaldo Roberto de Barros (ex-procurador do TJDF-PB),José Renato Soares (ex-presidente da Ceaf-PB), Severino José de Lemos (ex-membro da Ceaf-PB), Genildo Januário da Silva (ex-vice-presidente do Sindicato de Árbitros da Paraíba), Adeilson Carmo Sales de Souza (ex-árbitro do quadro local), Antonio Carlos da Rocha (ex-árbitro do quadro local), Antonio Umbelino (ex-árbitro do quadro local), Eder Caxias (ex-árbitro da CBF),Francisco Santiago (ex-árbitro do quadro local),João Bosco Sátiro (ex-árbitro da CBF), José Maria de Lucena Netto (ex-árbitro assistente da CBF), Tarcisio José de Souza (ex-árbitro assistente do quadro local), Josiel Ferreira da Silva (ex-árbitro assistente do quadro local) e José Araújo da Penha (ex-funcionário da FPF).
 
O  juiz José Guedes Cavalcanti, que atendeu pedido dos advogados de defesa, revogou as seguintes medidas cautelares dos réus: Os réus não precisam mais comparecerem ao menos uma vez na comarca e nem pedir autorização para viagens.
 
Sem Provas 
 
Advogados de defesa têm dito após duas audiências e pelo teor dos depoimentos de apenas um terço das testemunhas de acusação nenhuma prova que incriminasse os acusados foi apresentada. Na primeira audiência, dos 12 que foram depor como testemunhas de acusação, nenhum apresentou provas nem disseram ter presenciado compra de resultados de partidas, árbitros ou assistentes para manipular o placar dos jogos.
 
Das 12 testemunhas de acusação, em um dos processos da Operação Cartola, apenas quatro, depuseram e as outras oito testemunhas foram dispensados pelo Ministério Público, pela repetitividade das falas e dos argumentos serem semelhantes, do tipo: ‘ouvi dizer’ e ‘me disseram’. 
 
Já na segunda audiência, de um outro processo, as testemunhas de acusação não compareceram o que levou o Ministério Público abrir e encerrar de forma imediata.  
 
Áudios
 
Em relação aos áudios, um dos advogados de alguns réus, Aécio Farias, disse que, além dele outros advogados de defesa dos acusados não ouviram e estranha que apenas parte da imprensa teve acesso a esses áudios. “Como é que a defesa dos acusados não teve acesso aos áudios e parte ‘privilegiada’ da imprensa, teve. Muito estranho. Mas, mesmo assim ,não dizem nada de relevante que incriminem meus clientes”, completou.
 
Contradição
 
O advogado Aécio Farias fez questão de relembrar e ressaltar as contradições e, pra ele, inverdades ditas, na primeira audiência, pelo declarante Gilvanez Araújo, que foi ex-assistente do quadro de árbitros da Federação Paraibana de Futebol. “Ele afirmou em seu depoimento que existe um áudio no qual o ex-presidente da Comissão de Arbitragem de Futebol da Paraíba, José Renato, afirma ter vendido ao Treze um confronto contra o Botafogo-PB, na final do Campeonato Paraibano de 2017. Depois, disse que esta partida negociada teria acontecido na fase semifinal da competição de 2018. Ele corrigiu, em seguida, e afirmou que quis se referir ao ano de 2017. Só que naquele ano, Treze e Botafogo não duelaram na semifinal. Os dois clubes decidiram a competição, com o Belo sendo o campeão paraibano. Ele não sabia o que dizia, senão tivesse participado da audiência na condição de declarante, sairia preso e algemado”.