23/05/2017 - 18:24

Os dias são assim no Paço Municipal de JP


Não se trata de  nenhuma  peça de ficção. O  que passo a  relatar,  a partir de agora, é pura realidade  e  aconteceu  comigo, nesta terça-feira (23), no Paço Municipal  de João Pessoa. O prefeito Luciano Cartaxo (PSD) estava fazendo o lançamento de um  aplicativo para auxiliar mulheres em situação de  risco. 

No final da  solenidade, me dirigi ao chefe do executivo pessoense juntamente com outros repórteres  de outros veículos  de comunicação da capital e fui informado pelo secretário  de  comunicação,  jornalista  Josival  Pereira, de que eu  não poderia entrevistar  o  prefeito  porque  ele não  concede entrevista a Rádio Tabajara. 

Além da proibição  para fazer  entrevista com o prefeito,  o   secretário também registrou que eu não tinha permissão para  entrar no local  em que  a entrevista ía  ser realizada. Ressaltar  que se trata  de um ambiente público, e  que um jornalista é um intermediador entre um agente público e à sociedade.               

Josival contou que a decisão de Cartaxo de se negar a  dar entrevista para  a Rádio Tabajara acontecia  por  conta de que teve suas falas deturpadas em outras oportunidades em que   falou  para  a  emissora. O que não condiz  com a  realidade. Luciano Cartaxo não   concedeu nenhuma  entrevista exclusiva a Tabajara.

Todas as declarações proferidas pelo prefeito  da capital em toda a programação  da emissora aconteceram durante a realização de entrevistas coletivas nas ocasiões em que  o  mesmo realizava eventos da gestão.  É bom lembrar  que ele nunca quis participar de entrevistas nos estúdios  da  empresa apesar  dos  incontáveis convites. 

Na verdade,  o que aconteceu na  manhã de hoje foi uma  tremenda violência a liberdade de  expressão. Não vivi o período de repressão. Tudo  que conheço é através  da história. Mas, me  senti como se  estivesse vivendo aqueles momentos  negros da ditadura militar. 

Fui  vítima  de uma censura extrema que só acontece em regime ditatorial. Proibir um  profissional de imprensa  de  exercer o seu papel  de levar a informação à  sociedade é atitude de um ditador.  Vetar que um repórter  faça pergunta, bem como não permitir  o seu  acesso  ao  ambiente em  que  ocorre uma  entrevista é um crime contra a humanidade.