24/10/2015 - 19:03

Cerco a Eduardo Cunha



O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, insiste em afirmar que não possui contas 

 

no exterior e parte para o ataque à figura do Procurador Geral da República, o doutor Rodrigo 

 

Janot, a quem acusa de perseguição política, numa ação – segundo ele – que contaria com o 

 

apoio velado do Palácio do Planalto, e que teria o objetivo de causar enorme desgaste à sua 

 

imagem de chefe de uma das casas do Parlamento – a Câmara dos Deputados -, a quem 

 

caberia a decisão de autorizar ou arquivar alguns dos vários pedidos de abertura de processo 

 

de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que aguardam despacho no gabinete do 

 

presidente.

 

Não se sabe até quando Cunha levará esta estratégia de negar veementemente às acusações 

 

que lhe são atribuidas pelo Ministério Público da Suiça, que em farta documentação enviada às 

 

autoridades brasileiras, há duas semanas, apontam pelo menos a existência de cinco contas 

 

que seriam do político brasileiro e que teriam sido irrigadas com dinheiro oriundo de 

 

pagamento de propina em contratos da Petrobras em território africano, que somariam um 

 

montante de quarenta e três milhões de reais. Na documentação enviada aparece, ainda, a 

 

esposa e uma filha do deputado como beneficiárias daquelas contas.

 

Com a chegada ao Brasil do material sob investigação de procuradores da Suiça, o doutor Janot 

 

pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para abrir mais uma investigação contra 

 

Eduardo Cunha, no tocante à autenticidade da investigação a cargo das autoridades suiças, de 

 

quem recebeu aval para levar a cabo a investigação, através de despacho do ministro Teori 

 

Zavascki, que responde pelo processo da Lava Jato, no âmbito daquela Corte. Também, de 

 

forma simultânea, um grupo de 30 parlamentares, sob a liderança da bancada do Psol, 

 

protocolou uma representação junto ao Conselho de Ética e Decoro parlamentar da Câmara 

 

dos Deputados em que pede a abertura de processo naquele colegiado para investigar a 

 

conduta do deputado, que em visita espontânea ao Plenário da CPI da Petrobras negara ter 

 

contas no exterior.

 

 Em que pese ainda a influência do presidente Eduardo Cunha sobre um número expressivo de 

 

deputados, notadamente junto ao denominado “baixo clero”, já se verifica uma significativa 

 

diminuição na bancada que dava sustentação à sua gestão naquela casa do Parlamento. Diante 

 

da gravidade do momento resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos para ver que 

 

desfecho terá este caso.