28/02/2020 - 07:24

Verdade ou Fake: infectologista esclarece sobre informações do Coronavírus, que já tem primeiro caso confirmado no Brasil e um suspeito na Paraíba



O Brasil confirmou o primeiro caso do Coronavírus na última terça-feira (25). Na Paraíba, um caso suspeito foi registrado na última quarta-feira (26). A verdade é que desde que surgiram os primeiros casos da doença, conhecida também por Covid-19, muita informação circula nas redes sociais. Porém, muitas delas se enquadram no que se chama de Fake News – Notícias Falsas.

Para esclarecer e tranquilizar a população sobre a doença o médico infectologista do Hospital do Hapvida em João Pessoa, Fernando Chagas, desmente algumas informações que circula pelos aplicativos de conversa e demais redes sociais.

“O número de informações que chegam via internet, principalmente por meio das redes sociais é imenso, mas precisamos ficar atentos ao que realmente é verídico e o que não se encaixa na realidade. Por exemplo, têm circulado a informação de que o vírus é fraco, não resiste ao calor e temperaturas de 26°C ou 27°C já matam o vírus e isso não é verdade. Muito pelo contrário, o Coronavírus resiste até 57°C, então na temperatura da gente ele vai resistir, não haverá influência alguma sobre ele”, explica.

Outra informação que circula em massa e que Fernando Chagas aponta como falsa diz respeito à tosse. A mensagem afirma que a tosse característica do Coronavírus é seca. Mas, o infectologista assegura que o vírus tanto pode gerar a tosse seca como cheia e que não há diferença para o tipo de tosse sobre a doença. Porém, o médico lembra que a grande característica para o Coronavírus é a presença da febre.

Hábitos – O especialista ressalta que simples hábitos contribuem para eliminar a possível presença do vírus. “Dentre as orientações que contém um teor de Fake News está a de que o vírus fica resistente nas mãos por minutos. É importante destacar que, teoricamente, o vírus poderia ficar em uma superfície por um dia, mas, na realidade, nas mãos uma lavagem simples já garante a remoção dele, mesmo sem o uso do álcool em gel. Lavar as mãos de forma correta já assegura a eliminação do vírus”, esclarece Fernando Chagas.

Dizer que o vírus é muito mais resistente em superfícies metálicas onde pode se manter vivo por até 12 horas, pode ser também considerada uma Fake News, tendo em vista que, de acordo com o infectologista, estruturas metálicas asseguram uma maior probabilidade de permanência do vírus – de até sete dias –pela quantidade de pessoas que transitam e põe a mão naquele espaço, a exemplo dos ônibus. Porém, lembra que isso é algo que não se restringe apenas ao Coronavírus, mas que pode ocasionar até infecções bacterianas. Por isso, a importância de manter a limpeza das superfícies.

O especialista ressalta que a circulação de informações falsas só contribui para causar pânico na população e, de certo modo, dificultar o processo de investigação. “Não existem medidas, tipo, ingestão de chás, água quente, vitaminas, que comprovem a eficácia da prevenção ao Coronavírus. Nada disso está confirmado em estudo, não adianta tomar vitamina C. As medidas mais possíveis são atitudes preventivas, de cuidado nos hábitos, como uma simples lavagem de mãos, para reduzir a transmissão de qualquer vírus e, claro, o bom senso, no intuito de não espalhar notícias falsas”, pontua e conclui.