07/02/2019 - 17:20

Palocci diz em delação que Lula sabia que seria alvo de fase da Lava Jato



O ex-ministro Antonio Palocci disse em delação premiada que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia antecipadamente da 24ª fase da Operação Lava Jato, na qual foi conduzido coercitivamente (quando a pessoa é levada à força para depor), em março de 2016.
O termo de depoimento da delação do ex-ministro faz parte de uma investigação sobre o vazamento dessa fase da operação.
Conforme o depoimento, Paulo Okamoto e Clara Ant, presidente e assessora do Instituto Lula, ficaram sabendo que ocorreria uma operação contra o ex-presidente, mas sem saber se seria cumprida prisão ou condução coercitiva.
Segundo Palocci, Okamoto informou que teria "feito uma limpa" na casa dele em Atiabaia (SP), assim como Clara.
O ex-ministro afirmou também que eles lamentaram o fato de que Lula não tenha feito o mesmo e que por isso foram encontrados documentos comprometedores na casa do ex-presidente e no sítio em Atibaia.
Ainda segundo Palocci, documentos importantes não foram aprendidos na sede do instituto e na casa de assessores do ex-presidente do local.
Ele disse ter tratado com Clara sobre um HD que ela tinha e no qual estavam guardados registros de todas as reuniões oficiais feitas por Lula nos dois governos.
De acordo com o ex-ministro, ela informou que o HD não foi levado pela polícia e que teve o cuidado de deixá-lo em outro lugar.
Vazamento da operação
De acordo com as investigações, a auditora da Receita Federal Rosicler Veigel, que atuava na força-tarefa da Lava Jato, disse à PF que, em fevereiro de 2016, contou ao então namorado, o jornalista Francisco José de Abreu Duarte, que uma "bomba" relacionada ao ex-presidente Lula estava prestes a "estourar".
Ela disse que naquela ocasião tinha levado para casa cópias das decisões que teve acesso, sobre a operação em que Lula seria alvo. No entanto, negou que tenha entregue os documentos a Abreu. A auditora disse que foi ele quem retirou os documentos da bolsa, sem que ela soubesse.
O jornalista confirmou que vazou as informações sobre a operação para o Blog da Cidadania. No entanto, Duarte negou que as informações tenham partido de Rosicler e invocou o direito constitucional para proteger a fonte.
O inquérito foi concluído pela Polícia Federal (PF), em 16 de janeiro. Com o indiciamento, o inquérito foi para o Ministério Público Federal (MPF) que avalia se oferece ou não denúncia à Justiça.
Reformas no sítio
No depoimento, Palocci disse que em 2016 o ex-presidente o chamou para um encontro no Instituto Lula e perguntou se ele poderia assumir o pagamento das reformas feitas no sítio em Atiabaia.
O ex-ministrou relatou que negou por achar que a polícia descobriria e pelo fato de que não existiram grandes saques em espécie para justificar o pagamento das reformas.
Na quarta-feira (6), Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na ação que investigou as reformas na propriedade.
O que dizem os citados
A defesa de Antonio Palocci disse que ele continuará colaborando de modo amplo e irrestrito com a Justiça.
O G1 entrou em contato com as defesas dos citados e aguarda retorno.
G1