28/02/2020 - 19:22

Moro diz que punks fazem ‘apologia ao crime’ com cartazes anti-Bolsonaro



O ministro da Justiça, Sergio Moro, recorreu ao Twitter nesta sexta-feira, 28, para defender a abertura de um inquérito contra os organizadores de um festival de música punk pelo uso de cartazes contrários ao presidente Jair Bolsonaro. Os responsáveis pelo Facada Fest são investigados pela suposta ocorrência de crimes contra a honra e de apologia ao homicídio.


A existência do inquérito foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo. São alvo de investigação três cartazes que fazem menção a Bolsonaro. Em um deles, o palhaço Bozo aparece empalado por um lápis. Em outro, o presidente surge caracterizado com o bigode do ditador Adolf Hitler e vomita fezes enquanto florestas e favelas pegam fogo. Há um terceiro pôster em que a cabeça de Bolsonaro é decapitada por uma índia. Na imagem, o presidente também usa um bigode de Hitler e porta uma suástica em sua testa.


“A iniciativa do inquérito não foi minha, mas poderia ter sido”, disse Moro. “Publicar cartazes ou anúncios com o presidente ou qualquer cidadão empalado ou esfaqueado não pode ser considerado liberdade de expressão. É apologia ao crime, além de ofensivo”, acrescentou.


Sergio Moro 
✔@SF_Moro
 · 21h
 
Respondendo a @SF_Moro
Muito me surpreende, com todo o respeito, essa crítica da FSP ao inquérito.
Sergio Moro 
✔@SF_Moro
 
Decapitado também. Se fosse outro agente político ou outra pessoa concreta, estariam liberadas a ofensa ou a apologia ao crime? Crítica é uma coisa, isso é algo diferente. Não são, portanto,simples "cartazes anti-bolsonaro" como falsamente afirma o título da matéria da Fsp.


Moro ainda questionou o conteúdo da reportagem veiculada pelo jornal. “Decapitado também. Se fosse outro agente político ou outra pessoa concreta, estariam liberadas a ofensa ou a apologia ao crime? Crítica é uma coisa, isso é algo diferente. Não são, portanto, simples “cartazes anti-bolsonaro” como falsamente afirma o título da matéria da Folha de S.Paulo”, afirmou.


O Facada Fest surgiu em Belém, no Pará, em 2017, mas já teve edições realizadas em outras cidades do país. Por meio da página do festival no Facebook, os organizadores afirmaram ser vítimas de perseguição por parte de Bolsonaro e Moro. O comunicado diz que causa espanto o uso do aparato judicial e policial na repressão de um festival de música em meio a tantos problemas ocorrendo no país.


“Seguiremos em frente. Certos de que o bom senso e a justiça prevalecerão. E que, em respeito a nossa Constituição, o direito à atividade artística e à liberdade de expressão será assegurado”, disseram os organizadores.
Não é a primeira vez


O Ministério da Justiça já requisitou a abertura de um inquérito contra outro artista que desagradou Moro. Em setembro do ano passado, Moro pediu para que a Polícia Federal investigasse o diretor Alexandre Barata Lydia, que veiculou um curta-metragem intitulado Operação Lula Livre. No filme, um casal de guerrilheiros sequestrava a filha do ministro “Célio Mauro” para exigir a liberdade do ex-presidente “Luiz Jararaca da Silva”. O ministro tem um casal de filhos adolescentes.


Lydia foi intimado a depor pela PF em dezembro, mas disse que seu advogado conseguiu adiar o interrogatório ao alegar que não teve acesso aos autos até o momento. O inquérito contra ele corre em segredo de Justiça, e um novo depoimento ainda não foi marcado.


Na última semana, o ex-presidente Lula teve de depor em Brasília em outro inquérito aberto a pedido de Moro. O motivo da investigação foi um discurso feito pelo petista após sua saída da cadeia, no qual dizia que Bolsonaro “governava para milicianos”. O Ministério da Justiça chegou a dizer que Lula era alvo da Lei de Segurança Nacional, mas negou essa possibilidade posteriormente, dizendo que a informação foi veiculada de forma equivocada.


MSN