15/04/2020 - 08:11

Medidas de isolamento podem ser necessárias até 2022, diz estudo



Os pesquisadores utilizaram a taxa Ro para medir o impacto do distanciamento social na diminuição do grau de infecção do vírus. Essa variante calcula quantas pessoas podem ser infectadas por 1 portador do coronavírus. No caso da covid-19, a R0 é de 3 pessoas. Em coronavírus mais leves, a média é de 2 infectados por portador.

A partir desses dados, os pesquisadores simularam a extensão do isolamento em diferentes níveis de amplitude. Desde o fechamento total até pequenos setores de maior risco. Quando o distanciamento é mantido por pelo menos 20 semanas, há uma redução do R0 de 20% a 60%.

O problema, contudo, é o retorno das atividades depois do período de quarentena. Mesmo que o isolamento vertical tenha mais efeito sobre o Ro, ele pode ser reduzido e temporário.

Como os anticorpos tem uma espécie de “prazo de validade”, a quarentena total até livraria muitas pessoas da infecção, mas elas também não teriam anticorpos.

O resultado é que elas poderiam contrair o coronavírus e mantê-lo em circulação por até 1 ou 2 anos, colocando as pessoas que foram curadas na 1ª onda suscetíveis a uma nova infecção, quando seus anticorpos já não surtirão mais efeito.

Resumindo, a aplicação de uma medida de isolamento social rígida e vertical, por apenas uma vez, não erradicaria o vírus. Ele apenas reduziria momentaneamente o grau de infecções e manteria uma grande parte da população sem defesas.

Ao mesmo tempo, a abertura abrupta da quarentena causaria 1 caos ainda maior nos sistemas de saúde, o que poderia piorar o estrago causado pela pandemia. Uma das soluções seria a adoção de medidas pontuais e gradativas depois de 1 período de fechamento total.

Mesmo assim, o estudo não recomenda nenhuma medida com base na amostra. Os pesquisadores disseram que ainda são necessários diversos testes e mais tempo para entender melhor a atuação do vírus. Algumas variáveis como o nível de disseminação em diferentes temperaturas ainda são incertas.

Fora isso, o grupo de trabalho de Harvard não considerou o impacto por idade, sexo e classe social. Além de não pontuar o impacto econômico causado em países, principalmente os mais pobres.

Poder 360