26/01/2019 - 16:40

Justiça endurece condições de visita a Lula na cela da PF em Curitiba



Uma decisão judicial endureceu as condições de visitação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril do ano passado em uma cela especial na sede da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná. 
Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann durante visita a Lula em novembro em Curitiba - 
Lula não poderá mais receber visitas de Fernando Haddad em qualquer dia da semana. O ex-prefeito de São Paulo, que o substituiu na campanha do PT à Presidência da República em 2018, podia encontrar Lula na condição de advogado. 
Até então, esses encontros eram liberados de segunda a sexta-feira, exceto feriados. A partir de agora, somente visitas sociais são permitidas: uma vez por semana, às quintas-feiras, entre 16h e 17h. 
A Justiça também vetou as visitas de lideranças religiosas que Lula vinha recebendo todas as segundas-feiras. Esses encontros com líderes religiosos poderão ocorrer somente uma vez por mês, como acontece com os demais presos na carceragem da PF. 
A decisão, em resposta a um pedido do Ministério Público Federal, foi tomada nesta sexta-feira (25) pela juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal do Paraná, que é a responsável pela execução penal do ex-presidente. 
Ela atendeu ao argumento de que Haddad foi aceito como procurador de Lula em um contexto de “assegurar os direitos do outorgante na condição de pré-candidato a presidente da República”. 
“Realizadas as eleições, o candidato eleito foi diplomado e empossado. Diante desse contexto, claramente não se vislumbram indicativos da necessidade e utilidade na defesa dos interesses do executado na condição de pré-candidato”, afirmou Lebbos em seu despacho. 
De acordo com a juíza, o ex-presidente “tem recebido visitas de diversos líderes religiosos, das mais diversas crenças". "Fora, portanto, do serviço de prestação de assistência religiosa ofertado pelo estabelecimento prisional. A manutenção dessas visitas não se mostra compatível com os princípios e as regras que regem a execução da pena”, afirma. 
Em agosto do ano passado, Lebbos já havia impedido a senadora Gleisi Hoffmann (PT) de atuar como advogada do petista.
Procurado pela reportagem, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que ainda está analisando a decisão antes de decidir sobre a possibilidade de entrar com recurso. 
Segundo depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro
Folha