24/01/2019 - 17:40

João de Deus, mulher e filho são denunciados pelo Ministério Público de Goiás



O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou nesta quinta-feira (24) o médium João de Deus pela terceira vez por abusos sexuais cometidos durante atendimentos em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Desta vez, ele também foi denunciado, junto com a mulher, por posse ilegal de arma de fogo, e, junto com um dos filhos, por corrupção de testemunhas. Também há um novo pedido de prisão por abuso sexual.
"Essa corrupção e coação de testemunhas reforçam a necessidade de proteger as testemunhas durante os testemunhos e na fase processual", disse a promotora de Justiça Gabriella Clementino.
Preso há mais de 1 mês no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional deAparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, o médium nega os crimes. Ao G1, o advogado dele, Alberto Toron, informou que não tem como se posicionar sobre esses casos porque ainda não teve acesso à denúncia.
A reportagem entrou em contato com a defesa da mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira, e aguarda retorno. Em relação ao filho do médium que foi denunciado, Sandro Teixeira de Oliveira, o G1 não conseguiu localizá-lo.
Estupro e coação
Uma das denúncias enviadas nesta quinta-feira ao Poder Judiciário é composta por cinco casos de estupro de vulnerável, sendo que uma das vítimas é do Distrito Federal e as demais de São Paulo. Conforme o documento, os abusos aconteceram de março de 2010 a julho de 2016.
O documento conta com relatos de outras seis mulheres que dizem ter sido abusadas pelo médium. Os casos aconteceram entre 1996 e 2009. Na época dos abusos, as vítimas tinham entre 23 e 53 anos. Apesar de estes crimes já terem prescrito, eles servem para embasar o relato das demais.
Nesta ação, João de Deus e o filho Sandro Teixeira de Oliveira também respondem por coação no curso do processo e corrupção ativa de testemunha de um caso que teria acontecido em 2016. Segundo o promotor Augusto César de Souza, um dia após o registro do crime, o médium já tinha conhecimento do boletim de ocorrência e tentou, junto com o filho, "comprar" a testemunha.
"João de Deus e o seu filho, que estava armado, foram até a cidade da vítima, no norte do estado, e ofereceram a uma das testemunhas que acompanhou a vítima pedras preciosas que valiam R$ 15 mil para que fosse retirado o registro", contou o promotor.
Nesta denúncia, MP-GO fez novo pedido de prisão do médium por abuso sexual. Para os promotores, a corrupção de testemunhas reforça a necessidade dessa medida.
Em relação ao filho do médium, foram solicitadas medidas protetivas: não sair de Anápolis, onde mora; não se aproximar das vítimas; e comparecer ao juiz mensalmente.
G1