03/08/2019 - 10:12

Horta em área que já foi ponto de drogas gera 2 toneladas de alimentos



Em 2013, uma caixa de tomate chegou a ser vendida por R$ 150, na época, milhares de brasileiros optaram por cortar o alimento da mesa para não prejudicar o orçamento. Acostumado desde criança a plantar, Wagner Ramalho viu na crise alimentar a possibilidade de criar uma iniciativa para ajudar outras pessoas ensinando-as a cultivar seu próprio alimento, surgiu assim o “Prato Verde”.
O projeto transformou um terreno abandonado na zona Norte de São Paulo, com lixo e usado para o uso de drogas, em uma horta que chega a produzir duas toneladas de alimentos por ano.
“Eu acho injusto as pessoas, por não terem dinheiro, não se alimentarem do que elas querem. É tão fácil, é tão simples cultivar, eu não estou inventando a roda, na verdade, eu estou mostrando, relembrando as pessoas a produzir seu próprio alimento”, conta.
O local escolhido para sediar a iniciativa foi a Associação Mutirão, no Jardim Filhos da Terra, que Wagner frequenta desde os 11 anos. “Minha mãe me colocou aqui para fazer as aulas. Foi um momento bom, porque se não fosse isso talvez eu não seria essa pessoa que sou hoje”, conta ele.
Wagner sugeriu a ideia para Jailde Teixeira, gerente institucional da Associação Mutirão, e ela aceitou. “As famílias passaram a se interessar, querer conhecer, descobrir o que é um alimento orgânico, é muito interessante porque eles estão praticando em casa também, porque por menor que seja a casa da pessoa, sempre tem um cantinho que dá para plantar alguma coisinha”.
Do lixo ao verde
Onde todos enxergavam lixo, Wagner viu uma nova realidade. Ele transformou um terreno abandonado onde moradores jogavam lixo e que era utilizado por usuários de drogas em mais de 3 mil metros quadrados de horta urbana, a qual produz 2 toneladas de alimento por ano.
“Tinha dias que tinha mais de 20 pessoas usando drogas aqui e era difícil porque já tinha crianças e a gente tinha um debate e depois que veio a horta com a insistência do administrativo, tudo mudou”, disse Wagner.
O projeto oferece educação ambiental para crianças, jovens e idosos da comunidade. Lá eles aprendem sobre a origem dos alimentos, a plantar, reutilizar a água da chuva, reciclar resíduos orgânicos, sobre o prejuízo do lixo para o meio ambiente, entre outras coisas. Há ainda algumas oficinas de culinária onde são ensinados pratos saudáveis feitos com produtos da horta.
“Eu não quero que ninguém vire engenheiro ambiental, gestor ambiental, eu quero que tenha consciência ambiental”, diz Wagner.
G1