24/02/2020 - 08:32

Em 69, frevo de Caetano Veloso fez Brasil descobrir o trio elétrico



Salvador, 16 de março de 1980.

Sábado de carnaval.

Era quase noite quando o caminhão posicionou-se na Praça Castro Alves.

As pessoas se aproximaram, e os primeiros sons ainda não eram do frevo.

O cantor do trio começou, numa cadência lenta:

“Vem, meu amor feito louca, que a vida tá pouca e eu quero muito mais”.

Logo, logo, a coisa virou frevo e o grupo jogou luz, muita luz, sobre a multidão:

“Pra libertar meu coração, eu quero muito mais que o som da marcha lenta”.

*****

Essa foi a primeira – e inesquecível! – visão que eu tive do fenômeno ao vivo.

Era o Trio Elétrico Dodô & Osmar, com Armandinho na guitarra principal e Moraes Moreira como cantor.

Àquela altura, a invenção que tanto orgulha o povo baiano completava 30 anos.

Até 1969, estava restrita à Bahia.

A dimensão nacional foi conquistada a partir do frevo Atrás do Trio Elétrico, que Caetano Veloso gravou quando estava confinado em Salvador, antes de partir para o exílio em Londres.

O que foi se consolidando nos anos seguintes, o Brasil inteiro conhece: a transformação do carnaval de Salvador numa gigantesca festa popular. Sim. E um grande negócio movido pela música que os baianos produzem.
Uma série de LPs lançados anualmente pela Continental a partir de meados da década de 1970 registra toda a beleza do trabalho do Trio Elétrico Dodô & Osmar.

Nesses discos, há muitos temas instrumentais e contagiantes frevos cantados por Moraes Moreira.

O primeiro, gravado para o carnaval de 1975, festejava o jubileu de prata.

Quando vi ao vivo, o trio fazia 30 anos.

Agora, neste carnaval de 2020, comemora seus 70 anos. Já se aproxima dos 80 carnavais da letra de Bloco do Prazer.

O tempo passou, mas a invenção sobreviveu.

O trio elétrico é um argumento eficaz contra os que querem cortar o barato da música popular brasileira, disse Caetano Veloso.

Viva Dodô & Osmar!

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