Joo Pessoa, 23 de Janeiro 2018

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Damião Gomes

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Cerco a Eduardo Cunha

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, insiste em afirmar que não possui contas 
 
no exterior e parte para o ataque à figura do Procurador Geral da República, o doutor Rodrigo 
 
Janot, a quem acusa de perseguição política, numa ação – segundo ele – que contaria com o 
 
apoio velado do Palácio do Planalto, e que teria o objetivo de causar enorme desgaste à sua 
 
imagem de chefe de uma das casas do Parlamento – a Câmara dos Deputados -, a quem 
 
caberia a decisão de autorizar ou arquivar alguns dos vários pedidos de abertura de processo 
 
de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que aguardam despacho no gabinete do 
 
presidente.
 
Não se sabe até quando Cunha levará esta estratégia de negar veementemente às acusações 
 
que lhe são atribuidas pelo Ministério Público da Suiça, que em farta documentação enviada às 
 
autoridades brasileiras, há duas semanas, apontam pelo menos a existência de cinco contas 
 
que seriam do político brasileiro e que teriam sido irrigadas com dinheiro oriundo de 
 
pagamento de propina em contratos da Petrobras em território africano, que somariam um 
 
montante de quarenta e três milhões de reais. Na documentação enviada aparece, ainda, a 
 
esposa e uma filha do deputado como beneficiárias daquelas contas.
 
Com a chegada ao Brasil do material sob investigação de procuradores da Suiça, o doutor Janot 
 
pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para abrir mais uma investigação contra 
 
Eduardo Cunha, no tocante à autenticidade da investigação a cargo das autoridades suiças, de 
 
quem recebeu aval para levar a cabo a investigação, através de despacho do ministro Teori 
 
Zavascki, que responde pelo processo da Lava Jato, no âmbito daquela Corte. Também, de 
 
forma simultânea, um grupo de 30 parlamentares, sob a liderança da bancada do Psol, 
 
protocolou uma representação junto ao Conselho de Ética e Decoro parlamentar da Câmara 
 
dos Deputados em que pede a abertura de processo naquele colegiado para investigar a 
 
conduta do deputado, que em visita espontânea ao Plenário da CPI da Petrobras negara ter 
 
contas no exterior.
 
 Em que pese ainda a influência do presidente Eduardo Cunha sobre um número expressivo de 
 
deputados, notadamente junto ao denominado “baixo clero”, já se verifica uma significativa 
 
diminuição na bancada que dava sustentação à sua gestão naquela casa do Parlamento. Diante 
 
da gravidade do momento resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos para ver que 
 
desfecho terá este caso.

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