Joo Pessoa, 23 de Janeiro 2018

Colunista

Damião Gomes

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A quem interessa a discórdia?

É inconcebível o esforço que setores da Polícia Federal, em Brasília, vêm fazendo na tentativa de comprometer todo o acervo da investigação da Operação Lava Jato até aqui produzido, sob a responsabilidade de delegados e agentes lotados na Superintendência da PF do estado do Paraná. Num primeiro momento, tentou-se tirar a credibilidade da investigação, sob o argumento de que os policiais paranaenses teriam se valido de artifícios clandestinos para obtenção de informações comprometedoras reveladas pelos detidos naquela  operação, com a utilização de “grampos” em celas e até na área conhecida como “fumódromo”, dentro da unidade da PF de Curitiba.
 
Ainda como estratégia para desqualificar o trabalho dos policiais federais do Paraná, servidores do órgão, em Brasília, estariam disseminando notícias nos principais veículos de comunicação do país em que colocaria em posição de confronto o trabalho desenvolvido pela equipe do Paraná em relação ao que tem produzido os Procuradores da República que acompanham o caso. Esse desentendimento entre a equipe da PF e o Ministério Público só interessaria aos já indiciados e aos que ainda estão sob investigação – é o caso de vários parlamentares e até auxiliares do governo. Tudo leva a crer que essa cizânia dentro da corporação estaria sendo estimulada por setores do governo, com o propósito de não se avançar nas investigações que estariam perto de alcançar o ex-presidente Lula e também a equipe que cuidou da arrecadação financeira das campanhas da presidenta Dilma Rousseff, de 2010 e 2014.
 
Também como forma de desgastar o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e a condução firme do juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, há uma forte mobilização das duas casas do Congresso Nacional, a partir de seus presidentes, senador Renan Calheiros e deputado federal Eduardo Cunha, ambos citados nas delações premiadas já homologadas pelo Judiciário como beneficiários de dinheiro oriundo de propinas pagas em contratos superfaturados da Petrobras, que de maneira explícita têm feito uso de chantagem para criar constrangimentos à figura do Procurador-Geral da República, com ameaças de não chancelar a sua possível recondução ao cargo, bem como admitindo a possibilidade de convocar o chefe do Ministério Público Federal a prestar esclarecimentos no âmbito da CPI da Petrobras, em curso na Câmara dos Deputados.
 
Políticos como o senador Fernando Collor de Mello, das Alagoas, alvo de investigação na Lava Jato, tem verbalizado da tribuna do Senado da República que o Procurador-Geral Rodrigo Janot tem feito uso político do cargo que exerce para atacar, segundo disse, lideranças políticas e empresariais sem justificado motivo, devendo ser ele, o procurador-geral, submetido a um processo de impeachment a ser apresentado oportunamente naquela casa do Parlamento, num gesto de vindita contra o procurador por ter sido relacionado ao recebimento de propina por meio do doleiro Alberto Yussef.

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